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Fascite plantar: sintomas, causas e como a fisioterapia acelera a recuperação

  • Foto do escritor: Ricardo Vargues - Fisioterapeuta
    Ricardo Vargues - Fisioterapeuta
  • 29 de ago. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 5 horas

Se sente dor no calcanhar (ou na sola do pé), sobretudo nos primeiros passos da manhã, é muito provável que esteja perante um quadro de fascite plantar — também chamada, em muitos casos, de fasciopatia plantar (um problema por sobrecarga que pode deixar de ser “apenas inflamatório” quando se prolonga no tempo).

A boa notícia: na maioria das pessoas, com um plano de tratamento bem estruturado, é possível reduzir a dor e voltar à atividade com segurança.


Em resumo (o que costuma ajudar mais)

  • Ajustar a carga (caminhadas/corrida/trabalho em pé) sem parar tudo.

  • Alongamentos específicos (fáscia plantar + gémeos/solear).

  • Fortalecimento do pé e da perna para aguentar melhor o impacto.

  • Estratégias de alívio (taping, palmilhas, calçado, educação).

  • Plano de tratamento progressivo, acompanhado por fisioterapeuta (principalmente se a dor já é crónica).



fascite plantar
Figura 1 - Fáscia plantar.

O que é a fascite plantar?

A fáscia plantar é um tecido fibroso espesso na sola do pé que ajuda a suportar o arco plantar e a gerir forças durante a marcha e corrida. Quando existe sobrecarga repetida (ou aumento súbito de atividade), pode surgir dor, sensibilidade e rigidez — muitas vezes mais intensa ao levantar da cama. A fascite plantar é a consequência dessa sobrecarga.


Nota importante:esporão do calcâneo” pode coexistir, mas nem sempre é a causa principal da dor. O foco deve ser a função e a tolerância de carga, não apenas “o osso”.


Sintomas típicos

  • Dor no calcanhar/face interna do calcâneo.

  • Rigidez e dor nos primeiros passos da manhã ou após estar sentado.

  • Dor que pode melhorar após aquecer, mas volta com mais carga (muito tempo em pé, corrida, saltos).

  • Sensibilidade à palpação na base do calcâneo.


Quando deve procurar avaliação médica com urgência?

  • Dor com sinais sistémicos (febre), perda de sensibilidade importante, ferida ou dor noturna intensa não mecânica.

  • História de trauma com incapacidade de apoiar o pé.

  • Dor persistente apesar de 6–8 semanas de plano bem seguido.


Causas e fatores de risco (o que mais “puxa” pela fáscia)

Os fatores mais comuns:

  • Aumento rápido da carga (corrida, caminhadas longas, saltos).

  • Muitas horas em pé.

  • Calçado gasto/sem suporte ou com pouca absorção.

  • Alterações do arco (pé plano ou pé cavo) — nem sempre “problema”, mas podem exigir ajuste de carga e suporte.

  • Rigidez do tornozelo e encurtamento do tríceps sural (gémeos/solear).

  • Excesso de peso (mais carga a cada passo).


Tratamento: o que a evidência recomenda na fisioterapia

As recomendações atuais para dor no calcanhar tipo fascite plantar dão prioridade a uma combinação de educação + exercício terapêutico + estratégias mecânicas (conforme o caso), com boa evidência para:

  • Alongamentos da fáscia plantar e gémeos/solear

  • Terapia manual (pé/tornozelo) quando há rigidez e alterações de mobilidade.

  • Taping (ligaduras) para alívio de curto prazo.

  • Órteses/palmilhas (feitas por medida ou pré-fabricadas) em casos selecionados.

  • Night splints (tala noturna), sobretudo quando há dor matinal marcada.

  • Modalidades como ondas de choque (ESWT) podem ser úteis em casos crónicos e resistentes.


Exercícios para fascite plantar (plano simples e seguro)

Regra prática: durante os exercícios, pode existir desconforto leve/moderado, mas a dor não deve “disparar” e ficar pior nas 24h seguintes.


1) Alongamento específico da fáscia plantar (2–3x/dia)

  • Sentado, cruze a perna.

  • Puxe os dedos do pé para cima (em direção à canela) até sentir alongar a sola.

  • 3 séries de 30–45 segundos.

(Este tipo de alongamento é frequentemente recomendado em guidelines e revisões como componente central do tratamento.)

2) Alongamento gémeos/solear na parede (1–2x/dia)

  • Perna atrás esticada (gémeos) e depois com joelho fletido (solear).

  • 3 séries de 30–45 segundos em cada variação.

3) Fortalecimento do pé (3–4x/semana)

“Short foot” (elevar o arco sem enrolar os dedos)

  • 2–3 séries de 8–12 repetições, mantendo 5–8 segundos.

Elevação de gémeos progressiva (ficar na ponta dos pés)

  • Comece com as duas pernas → avance para a perna da lesão conforme tolerância.

(Exercício terapêutico, sobretudo com alongamentos específicos, mostra benefício na dor e função, especialmente quando integrado num plano completo).

4) Autogestão da dor (no dia a dia)

  • Reduzir temporariamente o que agrava (ex.: corrida/saltos), mas manter atividade alternativa (bicicleta, elíptica, caminhada tolerável).

  • Evitar andar descalço em piso duro se piorar os sintomas.

  • Ajustar o calçado e, se indicado, considerar palmilha/taping por fases.


Palmilhas, talas noturnas e ondas de choque: quando fazem sentido?

  • Palmilhas: tendem a ajudar na dor e função em muitos casos, sobretudo como suporte inicial para reduzir carga local.

  • Talas noturnas: úteis quando a dor matinal é muito marcada e há encurtamento/rigidez.

  • Ondas de choque (ESWT): opção para casos crónicos (meses) e resistentes, com evidência favorável para dor e função.


Quanto tempo demora a recuperar?

Depende sobretudo de:

  • há quanto tempo existe dor (aguda vs. crónica),

  • o nível de carga diária (trabalho, desporto),

  • adesão ao plano (exercícios + ajustes).

Em muitos casos, começa a notar-se melhoria em 2–6 semanas, mas quadros crónicos podem exigir um plano mais longo e progressivo. As guidelines reforçam a necessidade de combinar estratégias e reavaliar periodicamente para ajustar a carga e o exercício.


Como posso ajudar (fisioterapia ao domicílio em Lisboa)?

Na avaliação, o objetivo não é apenas “confirmar a fascite plantar”. É perceber porque está a sobrecarregar:

  • mobilidade do tornozelo e pé,

  • força (pé/perna/anca),

  • padrão de marcha/corrida,

  • calçado e carga diária.


Depois, construo consigo um plano de reabilitação personalizado, com:

  • controlo de dor e estratégias imediatas (taping/educação),

  • exercícios progressivos (pé + perna),

  • retorno seguro à atividade e prevenção de recaídas.


Tudo isto é feito no conforto da sua casa, com os meus serviços de fisioterapia ao domicílio em Lisboa.

Para apoio extra, pode também ver o meu material recomendado (por exemplo, bola de mobilidade/massagem para o pé, quando indicado).



Conclusão

A fascite plantar é frequente, mas não tem de ser “uma sentença” de meses de dor. Com um plano bem orientado — exercício terapêutico, gestão de carga e estratégias mecânicas — a maioria das pessoas melhora de forma consistente e volta ao que gosta de fazer com confiança.




Perguntas frequentes


A fascite plantar passa sozinha?

Pode melhorar, mas muitas vezes demora mais quando não existe um plano de tratamentos e exercícios. Com fisioterapia, tende a recuperar mais rápido e com menos recaídas.

Devo colocar gelo?

Pode ajudar no alívio sintomático, mas o essencial é corrigir a sobrecarga e fazer exercícios adequados.

Palmilhas resultam mesmo?

Em muitos casos, sim — sobretudo para reduzir dor e melhorar função, especialmente no início, enquanto constrói força e tolerância.

A tala noturna vale a pena?

Pode ser útil quando há dor muito intensa de manhã e rigidez marcada.

Quando se considera ondas de choque?

Geralmente quando a dor é crónica e não melhora com tratamento conservador bem seguido.




Ricardo Vargues | Fisioterapeuta



Veja o vídeo sobre a fascite plantar:



Referências:


  1. Heel Pain—Plantar Fasciitis: Revision 2023 (Clinical Practice Guideline, JOSPT).

  2. Rhim HC et al. Systematic review of systematic reviews (inclui evidência para alongamentos e intervenções conservadoras).

  3. Roos E et al. Foot orthoses and anterior night splints (ensaio clínico).

  4. Melese H et al. Meta-analysis RCTs: extracorporeal shockwave therapy in chronic plantar fasciitis.

  5. Lee WCC et al. Night splint + orthosis (ensaio clínico).

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Fisioterapeuta ricardo vargues

Sou um fisioterapeuta qualificado e experiente, com a Cédula Profissional atribuída pela Ordem dos Fisioterapeutas de Portugal. Ofereço serviços de fisioterapia ao domicílio na cidade de Lisboa, com especialização no tratamento de idosos, desportistas e lesões músculo-esqueléticas. O meu objetivo é proporcionar uma recuperação rápida e eficaz, com um atendimento personalizado no conforto da sua casa. Se deseja agendar uma avaliação, entre em contacto agora mesmo.

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